
Quando pedem para que eu poste em um blog eu sempre reluto, porque sempre achei uma coisa meio irritante de se fazer. Ver uma foto, ler algum comentário sobre a mesma e criar um comentário. Tudo em busca de uma reciprocidade meio estúpida: poste no meu blog que eu posto no seu.
De qualquer modo, cá estou eu, postando meu primeiro comentário no blog que acabo de criar... Sim, eu me corrompi.
Mas, por que, afinal ? A resposta veio da minha necessidade de conversar comigo mesmo através de palavras.
Eu sempre escrevi, sempre, mas acontece que, nos ultimos anos, passar minhas idéias para o papel não mais serviam de satisfação, então, resolvi escrevê-las aqui, neste blog, que, prometo, não obrigarei ninguém à fazer qualquer comentário.
Bem, em minha primeira postagem, gostaria de escrever um pouco sobre a vida e o que ela realmente é ou significa, pelo menos para mim.
Quando vejo alguém escrever ou dizer: "viva cada dia com se fosse o último", fico pensando: "mas que frase clichê!", porque afinal, essa pessoa realmente não viveu a vida como se amanhã fosse seu último dia, e ainda digo mais, essa pessoa sequer entende o real significado dessa frase.
Toda vez que temos medo de fazer algo, de dizer algo, de pular, de participar, dançar, amar, etc, estamos disperdiçando uma oportunidade que pode ou não voltar.
Pode ser que da próxima vez você dance, mas não com a mesma pessoa, pode ser que você fale, mas não o que poderia ter falado, e ainda pior, pode ser que talvez se você tivesse agido, teria mudado algo, teria feito a diferença...
Minhas reticências significam que as possiblidades são tão incertas que você pode apenas se dar conta de que elas existiram depois que tiver lidado com a morte, ou com a possibilidade de morrer.
A vida tem um modo muito triste de ensinar a apreciá-la: valendo-se da morte.
Quando você encara a morte, percebe que um ato praticado há 5 minutos pode ter sido o último de toda a sua vida. Você começa a perceber que realmente é preciso cumprimentar, amar, praticar o amor, viver realmente, porque sua vida está acabando a cada instante.
Eu dizia agora pouco a um amigo que a unica certeza que temos na vida é a morte, e, de fato, é a única mesmo.
Não é possível saber por quanto tempo você terá seus pais, ou familiares, ou mesmo, por quanto tempo você viverá, se vai morrer de morte natural, ou de doença, se terá uma vida tranquila, ou turbulenta e é aí que entra o real significado da expressão "viva cada dia como se fosse o último", a intensão não é que você saia correndo e faça tudo de um moto precipitado e inconsequênte, mas sim, que você aprecie tudo que já fez e agradeça por poder ter feito, é que você não esconda nenhum de seus sentimentos ou medos e sempre pratique o bem, para que leve algo de bom desta vida quando você partir.
Aproveitar seu dia é poder colocar em prática o que deseja, é não passar a vida toda juntando dinheiro, é entender que beleza depende do que você acha de você mesmo, que amor nasce de você e que faz diferença ser alguém que entende que o bem pode ser praticado só com um olhar para o céu e uma palavra: obrigado por tudo, pela minha vida e por tudo que sou.
Sem anseios, sem medos infundados, sem angústias de algo que não existe de fato.
Hoje minha família e eu perdemos um ente muito querido que deixará saudades a todos e principalmente a seus filhos es esposa, evidentemente.
Tudo isso me faz refletir muito sobre a vida e sobre o tempo.
Hoje estou aqui, mas não sei do amanhã e quanto antes soubermos disso, melhor.
A vida não é eterna, tem coisas que não teremos mais oportunidade de fazer, que poderíamos ter feito.
Espero que meu primo possa ter partido com seu coração livre de qualquer pendência quanto aos sentimentos que citei aqui, da mesma forma que espero poder partir um dia.
Em paz.
Sem qualquer tipo de comemoração pela inauguração, in memorian