quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

2011



Eu tinha um texto preparado para iniciar minhas postagens de 2011, que espero sejam bem mais do que ano passado. Mas, diante dos últimos fatos, fico feliz em inaugurar minas postagens com um protesto silencioso, já que os que aqui lêem não podem escutar minha voz de súplica, apenas captá-la nas entrelinhas.

Feliz Ano Novo para todos nós! Bem vindos a 2011!


CALAMIDADE


A calamidade toma conta de uma parte do país, enquanto a outra comemora a vitória de seu time, o sol do final de semana, a bobagem mais tola, mais insignificante e mais egoísta que, em face do que se passa, não tem relevância nenhuma.

Deveria então o Brasil parar e se curvar diante da desgraça humana? Deveríamos abrir mão da comodidade e dedicar mais do que o “horário do jornal” para refletirmos sobre o que REALMENTE está se passando nesse exato instante? Sim, deveríamos.

Um rapaz perdeu 40 (quarenta!!!!) pessoas de sua família. Uma mulher perdeu 15 (quinze!!!!). Uma família (mãe, pai e filho de 02 anos!!!!) se extinguiu. Alguém perdeu o filho e alguém perdeu o pai ou a mãe.

O cemitério abriu 200 (duzentas) covas.

Não somos NADA. Essa é a única frase que consigo transmitir acerca de toda essa tragédia... Estamos bem, estamos alimentados, ESTAMOS VIVOS. E nesse mesmo momento existem centenas de pessoas dormindo em um abrigo municipal, sofrendo pela perda, fechando os olhos para pensar que tudo é um sonho. Não é!

Não estou lá, ajudando a retirar escombros, não fiz doação e não montei uma ONG. Sequer tenho familiares nesta região e poderia muito bem estar deitado agora fazendo qualquer outra coisa, mas a dor é tanta que não consigo. Dor de me sentir tão pequeno a ponto de nada poder fazer para apaziguar o sofrimento, proporcionar ajuda material ou qualquer outra coisa.

A única possível é elevar a mente, orar, enviar pensamentos positivos, de amor e de conforto para todos aqueles que NESSE EXATO MOMENTO estão perdendo alguém, procurando alguém ou embaixo de um escombro. Nessas horas as religiões não se diferenciam e as classes se igualam. Somos apenas uma humanidade. É assim que nascemos e morremos: sendo apenas um.

É necessária a verdadeira solidariedade! Não a destinação de verba federal, estadual e municipal. O dinheiro, que, é claro, é necessário, apenas reconstrói o material. E o emocional?

Como se faz para começar do zero? Quem vai confortar o coração da família que viu a vida de uma criança de 02 anos ser ceifada?


São essas as situações que minoram ao patamar zero a capacidade humana. São esses acontecimentos que nos tornam mais sensíveis e solidários para com o próximo. Isto envolve o animal racional e o irracional. É questão de solidariedade com o planeta.

É muito simples mudar o canal ou procurar conforto porque você já doou esse mês. É simples olhar para si e dizer que está fazendo a sua parte. Não existe “parte”, existe apenas o “todo”. O problema é exatamente esse: estamos olhando demais para a parte e esquecendo do todo e, enquanto isso acontecer, o ser humano será como as plantas que aprendemos no jardim de infância, as quais nascem, crescem e morrem.

É preciso deixar um legado. É preciso SER humano!

Sabemos que não somos os únicos que pensam assim e isso me lembra “Imagine”, “Earth Song” e tantas outras canções, livros e textos os quais alguém, que um dia sentiu exatamente o que eu sinto, escreveu e desejou que todos entendessem do que se tratam. Infelizmente estamos, na maioria das vezes, mais preocupados com o que está acontecendo no Big Brother do que no mundo.

Não quero parecer o mais consciente do mundo. Mas quero mostrar que estou acordado e atento ao que se passa ao meu redor. Quiçá este texto será lido e compreendido. Então alguma coisa eu fiz. Por sorte, poderei fazer algo de bom por aqueles que precisam UM MILHÃO DE VEZES mais que eu. E esse será o início do meu “todo”, espero! Apenas o início!

Você é o mundo. O mundo é você. Não se isole! Faça qualquer coisa! Não feche os olhos para a vida, tampouco para a morte!

Luz para todos!


Welington O. de Souza Costa

13/01/10